<b>Grau 3 sem Shetland</b> - CBA - Comissão Brasileira de Agility
Grau 3 sem Shetland
Notícia publicada dia: 27/05/2010

Quarenta e nove. Esse é o número que pode aumentar final de semana que vem, quando serão disputadas as provas finais do XIBR (Décimo primeiro campeonato Brasileiro de Agility). O Unificado, até por contar com as três categorias dividindo pontos, é o ranking com mais participantes. Uma tabela lotada que tem como líder José Luis com Dino e como 49º Marco e Brown. O primeiro velho conhecido, no grau 3 desde 2006 e o segundo recém chegado.

Desses quase 50 duos apenas três não pertencem ao grupo 1, de cães pastores, são 31 Borders, 15 Shetlands, 1 Poodle, 1 Schnauzer e 1 Cocker Spaniel. Com a notícia da discussão de possíveis times em Mundiais mistos, formados por duas raças pelo menos (ex: 3 Shetlands e 1 Poodle), vem é claro a tentativa de entender porque tão poucos cães fora dessas duas (bc´s e shelties) estão competindo no grau 3.

Antes de começar gostaria de dizer que são aceitos cães grau 2 em mundiais e que o foco dessa matéria são os minis e midis, já que só existem hoje duplas Standard formadas por Borders. A variedade de raças competindo em alto nível na Europa e América do Norte é que me levou a fazer a matéria. Há pouco tempo atrás tivemos um Poodle campeão mundial individual. Não existem fórmulas a venda, pesquisar é uma saída.

Vamos lá então!

Fiz contato com todas as três duplas que marcaram pontos nesse ranking e com uma quarta que com uma trajetória rápida, após sair do iniciante, chegou ao grau 3 e não entrou em pista. Pode parecer que na verdade a matéria é sobre rebaixamento, a intenção não foi essa. Pra entender porque estão no 3, é preciso saber por que pediram ou não rebaixamento.
A primeira Valéria Alves, a Val, compete com a Xena, um Schnauzer Miniatura. Os Schnauzers são divididos por cores e tamanhos, Xena é um Sal e Pimenta, no entanto temos ainda Standards e Gigantes. Entre cores e tamanhos são 12 raças.

Campeã recentemente no Américas e Caribe 2010 com o time mini/midi do Brasil, questionada sobre a possibilidade de pedir rebaixamento para o grau 2, visando melhores resultados, mais pontos e pódios, Val foi incisiva: "foi tanto treino e esforço pra passar pro Grau 3 que acho que mesmo estando em último, nós merecemos estar lá".

Além de Xena, Val tem mais quatro cães, todos eles fazendo agility. Outro Schnauzer Miniatura, um Poodle e dois Borders. No Grau máximo do Agility Brasileiro desde 2007 ela brinca que está lá mais por sua companheira, "na verdade é mais pela Xena mesmo. Ela é Grau 3 pura! Eu é que não (risos)".
Vivyane Specian, companheira de time de Val no A&C2010, foi a segunda condutora com quem conversei. Fazendo a carreira completa, começando como quase todos no iniciante, está no grau 3 desde o ano passado com sua Poodle. Meg tem cerca de 25cm de altura, é um cão muito pequeno, em sua categoria eles devem pular entre 25 e 35cm.

O argumento da Vivy, como é mais conhecida, vai pra outro lado. Quando perguntei sobre um possível rebaixamento explica que sua intenção no grau 3 é sair da rotina de outros graus e enfrentar maiores desafios pensando no futuro com outros cães. "as pistas técnicas estão no Grau 3, são as de maior dificuldade no agility brasileiro" que assume ter problemas de tempo com Meg no grau 3 e complementa com uma pergunta "se eu a rebaixasse poderia ganhar provas e até mesmo campeonatos como aconteceu no Grau 2, mas e a experiência de conduzir em pistas mais técnicas?".

Vivyane compete com outros cães e treina um filhote nesse momento, um Shetland. Pretende usar sua experiência com Meg com seus próximos cães que venham a chegar ao grau 3.

As outras duas condutoras entrevistadas conduzem Cockers.

Juliana Martins teve uma trajetória vencedora após sair do iniciante com Mel, sua Cocker Spaniel. Mais rápida do que vencedora. Em apenas 18 pistas, depois do primeiro excelente zerado, saiu do grau 1 para o grau 3! Pediu rebaixamento, não chegou a disputar provas. Entre grau 1 e 2 foram apenas 13 provas. Para seu primeiro cachorro, vindo do iniciante, um desempenho acima do normal.

"Tinha pouco tempo mesmo, mas pedi o rebeixamento por conta da competitividade. A Mel não tem velocidade de um cão grau III, ainda mais com o TSP baixando a todo o momento. Não teria condições."  explica.

Juliana, que está há um combinado zerado para subir novamente ao grau 3, conta que pediria novamente rebaixamento mesmo se houvesse a categoria "qualquer raça menos pastor de shetland" no grau 3.
Pra finalizar conversei com Daniela Zambotto que conduz Brenda, uma Cocker Spaniel, que no midi compete hoje no grau 3. Quando passou pela primeira vez chegou a competir. "pedi rebaixamento após 2 provas por causa do tempo dela em relação aos outros (levamos uma lavada!). Depois passei mais uma vez e não cheguei nem a mudar de grau, já continuei no gr2 para terminar o campeonato que ela estava liderando"  na segunda vez que mudou as provas eram Open (graus 2 e 3 juntos) "não fazia sentido eu ser grau 3".

Daniela, que também já conduziu Schnauzer e vários Jack Russel conta ainda porque não pediu rebaixamento depois de ter passado novamente para o grau 3: "resolvi mudar pela dificuldade do percurso"  completando que os objetivos no grau 2 foram alcançados "Ela já ganhou vários campeonatos no gr2, já consegui baixar o tempo dela diminuindo as curvas e considero que ela já chegou no máximo no agility, conquistou tudo que poderia".

Sobre uma possível categoria no grau 3 sem os Shetlands tem uma opinião bem formada. "é uma categoria competitiva e tá lá quem quer" complementando que com a possível regra de times formados por duas raças em mundiais uma categoria como essa, exclusiva para "não shetlands", poderia ser ruim "temos que ter um cão de outra raça que seja rápido, criar essa categoria no gr3 pode "desestimular" a velocidade".

Pra finalizar a matéria gostaria de agradecer a Val, Vivy, Ju e Dani pelas entrevistas. Obrigado e espero que essas quatro experiências e opiniões sejam válidas para outros condutores. Sem querer acabei achando quatro trajetórias distintas, se é que existem duas parecidas dentro desse esporte. A pergunta, "estariam prontas duplas grau 2 para competições internacionais?", não foi respondida aqui, dessa vez. Temos que continuar, apenas, a pesquisa!

Grande abraço,

Fabiano Estigarribia


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