Aposentadoria a difícil decisão de quando parar - CBA - Comissão Brasileira de Agility
Aposentadoria a difícil decisão de quando parar
Notícia publicada dia: 26/11/2010
Texto: Miguel Ferigatto
Agradecimento: Renan Campos, pelo tema sugerido.

Todos em suas vidas profissionais enfrentarão a difícil decisão de qual o melhor momento para se aposentar. Quando chegarmos a uma idade avançada, que nos seja dada a oportunidade de descançar e de gozar a vida. Assim, alguns contam nos dedos o prazo mínimo de contribuição para dizer adeus a suas atividades. Porém, também há os que, por mais que tenham o direito, não conseguem se afastar de suas atividades e por vezes, caso forçados, adoentam-se pela inatividade.

Se esses profissionais forem atletas, a decisão torna-se talvez mais complicada. A grande maioria aposenta-se muito cedo se considerarmos a espectativa de vida, mas para a atividade que exerciam, limitações físicas não permitem mais um desempenho competitivo. Muitos acabam abreviando a carreira temendo que seu desempenho entre na descendência, mesmo que ainda tenham condições físicas para continuar em atividade. Quem não ouviu a frase de que "deve-se parar, quando ainda está por cima"? A decisão de passarmos o bastão adiante é extremamente difícil, mas torna-se ainda mais difícil quando precisamos decidir pelo outro, no nosso caso, decidir quando aposentar nossos cães atletas. Sabendo que eles praticam com tanta alegria e que a condição física nem sempre nos mostra a realidade, quando parar?

Para escrever esse texto, conversei com dois amigos que estão vivendo esse delicado momento.

Eduardo Falcone anunciou na 1ª Etapa do Paulista, realizado no Clube Aramaçan, que chegou o momento de exigir menos de sua garota de 9 anos e inúmeras conquistas no currículo.

Dentre títulos em campeonatos brasileiros, paulistas e Copas CBA, Eduardo destaca como ponto máximo da Kuka o ano de 2006 em que ela conquistou o título individual no Américas & Caribe em Colombia e integrou a equipe Midi no Mundial da Suiça.


Parceira nessa longa estrada. Pódio de 2002, 1º lugar quando ainda era uma criança.

O envolvimento e as lindas transformações que essa Pastor de Shetland provocou na família Falcone, ao ponto de adotarem o sobrenome Kuka, tornariam a decisão de parar extremamente difícil não fosse uma contusão sofrida no ombro direito que, por conta do longo período de recuperação, abreviou sua carreira. Eduardo deu as honras a Carlinhos (ABRAFA) de conduzí-la no último campeonato brasileiro pelo histórico vencedor da dupla e o resultado não poderia ser melhor para coroar essa pequena notável, sagraram-se campeões brasileiros G2.


Eduardo (seo Kuka) e Kuka competindo e divertindo-se em Atibaia.

Seo Kuka, como ficou popularmente conhecido em nosso meio, continua a brincar semanalmente com Kuka nas pistas e a mantem na ativa, mas apenas por diversão sem exigir nada que possa prejudicá-la. Espera ainda que ela faça mais algumas provas oficiais com Ana Luiza, sua esposa. Além dos títulos e alegrias, Kuka tem descendentes que consolidam seu nome no agility. Ela teve Lothar que faz dupla com Eduardo, Luke que pratica agility em Campinas e Lennon, esse já gerou vários netinhos que eternizarão o nome de Kuka nas pistas.


Kuka e filhos, Lothar e Luke.

Questionado sobre a categoria Veteranos, Eduardo lamenta que não tenha decolado. Em sua opnião, invés de ser considerado por alguns como incômodo em provas oficiais, deveria ser visto como o verdadeiro espirito agilitista em que cães e proprietários continuem se divertindo, mesmo não produzindo como antes à aposentadoria. Em suas considerações finais, Eduardo agradeceu a Kuka por permitir a ele e sua esposa conhecerem o mundo do agility.

Graças a ela, se aventuraram a viagens até a Europa apenas para vê-la nas pistas e principalmente por trazê-los ao maravilhoso mundo de vivência com os cães e que mesmo sem mais participarem ativamente, sempre o frequentarão.


Momento de merecido descanso.

Assim como seo Kuka, Dan Wroblewski está se aproximando desse momento com Dina, sua Border Collie que literalmente mudou sua vida. Depois que sua parceira foi submetida a uma cirurgia nas mamas e se recuperou como uma verdadeira campeã, Dan passou a amadurecer a idéia de aposentá-la. Porém, essa decisão vem tomando forma desde 2009, prova de como é difícil escolher o momento de parar. Todos que acompanham provas recentemente e os vê em pista, fatalmente compreendem e compartilham esse momento.


Inseparáveis! Ambos recuperando-se das cirurgias. Na alegria e na tristeza.

Dina começou a treinar seriamente somente após a primeira ninhada e entrou em pista pela primeira vez com mais de dois anos de idade. Dina levou Dan para conhecer o mundo. Estiveram competindo em países como Argentina, Alemanha, Colômbia, Chile, Espanha, Itália, Holanda, México, Peru, Portugal, Suiça e outros que provavelmente Dan não se lembra.


Dina levou Dan para conhecer o mundo.

Dina foi campeã Paulista, campeã da Copa CBA, Bi-campeã do Américas & Caribe em México 2007 e Argentina 2008. Na Argentina também sagrou-se vice-campeã Open. Nesse extenso passaporte, Dan e Dina, também carregam a participação em três mundiais. Essa estrela Holandesa gerou uma verdadeira constelação de herdeiros no agility brasileiro, entre os mais conhecidos dos agilitistas estão Redy, Dino, B Brown, Speedy, Dino Brown, Angra, Black e netos como Gaya e Bona. Os descendentes ultrapassam a casa dos cinquenta e boa parte deles se estabeleceram no agility. Para aumentar a longevidade na carreira de Dina, Dan rebaixou a dupla para o G2. Hoje com dez anos e meio, Dina treina com menor frequência e compete na categoria menos estressante. Mesmo com o ritmo mais lento, classificou-se para a pré-seleção em 2009.


Pódios. Presença constante numa carreira vitoriosa.

Talvez a dupla pare de competir oficialmente no próximo ano, mas como panela velha é que faz comida boa, Dan ainda quer vê-la nas mãos de algum jovem condutor de sua escola.

Sobre a categoria Veteranos, Dan afirma não gostar do formato. Segundo ele, cães veteranos com saúde podem competir e saltar alturas oficiais, e esse formato atual acaba por depreciar a dupla. Acredita que esses deveriam competir no G1 e dessa forma manteriam a atividade sem se desmotivarem.


O respeito de Dan pela amiga, embora Dina esteja cheia de energia, faz com que os treinos sejam cada vez mais leves.

A dupla está caminhando a passos largos em busca do título brasileiro desse ano e esse é um presente que Dan sonha para fechar com chave de ouro a carreira de Dina.

Para finalizar, confere a ela todas oportunidades, inúmeras amizades, viagens, propagandas e seminários que realizou. Dan me disse que Dina na verdade não é apenas uma parceira nas pistas, mas sim a amiga mais importante que teve nos últimos anos. Inseparáveis, assim define sua relação com essa que carrega para sempre tatuada em sua pele.


Dina eternizada no braço de Dan.

Ouvindo os depoimentos e sentindo as emoções em ambos os casos, fica evidente como é difícil aposentar aquele que esteve sempre ao nosso lado, dando o seu máximo visando apenas nossa alegria com o amor incondicional que só eles, os cães, podem nos oferecer. Como gratidão, ofereçamos a eles momentos de descanço e alegrias em suas vidas.

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