<b>Sem Raça do mês:</b> por Renan Campos - CBA - Comissão Brasileira de Agility
Sem Raça do mês: por Renan Campos
Notícia publicada dia: 12/03/2008
Embora a seção seja "Raça do Mês", merecem tanto espaço quanto qualquer outro os SRD´s (sem raça Definida), os nossos famosos "vira-latas". Presentes em nosso cotidiano, essas figuras também estão presentes nas pistas de Agility Brasileiro e internacionalmente. Nos Estados Unidos, por exemplo, onde os abrigos são mais "ativos", não é difícil encontrar os "All American" ou os "Mix breed", nomes usados para mencionar os SRD´s, em pistas de Agility, muitos conseguindo tantos títulos quanto qualquer outro cão de raça.
 
Entrevistamos nesse mês Fátima Cândido, condutora de Aníbal, e Valéria Alves, condutora de Sheetara. Vamos às perguntas!
 
CBA: Conte nos um pouco da história dos seus SRDs
 
Fátima Cândido: O Aníbal morava na Pet Life (pet shop onde o Dante era sócio), era filho da cachorra de um cliente. Por uma série de fatores, o Dante ofereceu para que eu o conduzisse, então, ele morava lá e eu o treinava para agility. Até que o Dante saiu de lá, e ele ia acabar ficando sozinho, então, fiz um acordo com os outros donos do pet e ele veio pra minha casa definitivamente em setembro de 2005. Ele tem um temperamento excelente, é muito carinhoso, atencioso e obediente.
 
Valéria Alves: Com 5 meses, a Xena (uma das minhas Schnauzers) tinha muita energia e queria brincar até as 3 da manhã quando eu chegava em casa. Decidi, então, adotar uma "irmãzinha" pra brincar com ela durante o dia e eu poder dormir durante a noite.

Pesquisei e descobri q tinha uma feirinha da ONG AMIGOS DOS BICHOS, no estacionamento de um supermercado na Washington Luis.
Fui até lá e o primeiro cercadinho que olhei tinha uma bolinha de pêlos branca e bege q nem se mexia.

Não sei por que, mas não olhei mais nenhum bichinho. Não conseguia sair do lado daquele cercadinho. Perguntei para a protetora se podia pegá-la no colo e, assim que o fiz, ela me olhou nos olhos com aquela cara de "pidona" e começou a lamber meu queixo enquanto abanava o rabinho. Meus olhos se encheram de lágrimas e eu disse: "É minha...essa anjinha vai pra casa comigo."

Conversando com a protetora descobri que a antiga "dona" batia nela e no irmãozinho com um cabo de vassoura, eles não tinham uma vacina sequer (tinham 3 meses já) e tinham uma infestação por pulgas e vermes que quase custou a vida deles. Bem, trouxe ela pra casa e foi amor a primeira vista entre ela e a Xena. 

Aquela coisinha que nem se mexia no dia que a vi, não parava de correr um minuto com a Xena. A dificuldade era ela saber que todas as vezes que eu abaixava era pra lhe dar carinho ou comida e não pra bater. Foram uns 4 meses até ela confiar totalmente em mim.

Ela sempre foi muito medrosa com pessoas. A aproximação tem que ser lenta, calma e sem movimentos ou sons bruscos, senão ela se assusta e se esconde.
Outra dificuldade é a ansiedade de separação. Ela já pulou do ultimo andar da casa para vir me procurar, já ficou o dia todo sem beber água ou fazer xixi me esperando e fez um buraco na tela de arame da lavanderia. Fora todos os latidos e uivos que ela dá quando chego em casa.
 
CBA: Quando e como você começou no Agility com seu SRD?
 
Fátima:  Comecei a treiná-lo quando ele tinha uns 8 meses. Treinávamos semanalmente na pista do CAM. Daí em função de muitas dificuldades ele ficou sem treino específico por muito tempo. Treinávamos então na Pet Life, apenas treinos técnicos, pois o espaço era pequeno. Além disso, ele aprendeu vários comandos de obediência, visando uma possível coreografia de free style. Isso fazia com que ele se ocupasse, gastasse energia e aprendesse.

Valéria: Comecei com a Sheetara na mesma época em que comecei a Xena, em 2003. Ela tinha 5 meses.

CBA: Vocês têm/tiveram alguma dificuldade específica no treinamento?

Fátima: Acho que minhas dificuldades no treinamento dele são dificuldades normais a condutores pouco experientes. Como ele é muito esperto e ativo, se não consigo deixar claro o que quero dele, ele nitidamente se mostra confuso; se ele se mostrar em dúvida e eu não apontar o correto, ele decide.
 
O Aníbal não é o único SRD que treinei para agility. Treinei também minha Chiquinha, hoje com 11 anos que adora agility. Infelizmente ela é severamente displásica, o que impossibilitou sua entrada em pista. Sempre que posso levo-a aos treinos, coloco as barras de salto no chão e faço um treininho com ela, nos saltos e túneis, embora seus obstáculos favoritos sejam os contatos: rampa, gangorra e passarela, nessa ordem.
 
Valéria: Por toda sua insegurança e medo, o processo foi um pouco mais lento do que com a Xena. Ela também tomou um susto em uma das provas que eu não fui e colocaram ela em pista, mesmo eu pedindo para não fazê-lo, que prejudicou completamente o treino.

Levei mais 1 ano de treino pra que ela entrasse em pista sem medo das pessoas, barulhos e tudo o mais que gira em torno de uma prova de agility.
 
CBA: O que você acha que aqueles que estão interessados em fazer agility com seu SRD precisam saber?

Fátima: Acredito que os donos de SRD devem saber que primeiro, SRD é um cão como outro qualquer, que tem habilidades inatas e pode desenvolver outras tantas, desde que estimulado e recompensado corretamente. Acho que a diferença, no caso, é que nas raças definidas as habilidades inatas são evidentes, fazendo parte da raça e nos SRD isso precisa ser descoberto.

Valéria: Que o agility é um esporte democrático onde todos podem praticar. Homem, mulher, novo, velho, alto, baixo, gordo, magro, com pedigree, sem pedigree ou SRD´s.

Seu cão é tão capaz de aprender e competir quanto qualquer outro e você é capaz de ensinar como qualquer outro. O que importa é sua dedicação e paciência em ensiná-lo e principalmente retribuir todo o amor que ele lhe dá e a vontade de se divertir com seu amigo peludo. Isso, nada no mundo paga. :o)
 
CBA (Para a Fátima): Conte um pouco do seu trabalho e do Aníbal no Projeto Cão do Idoso.

Fátima:  Sou psicóloga, trabalho com Terapia Assistida por Animais na OBIHACC, ONG que mantém o Projeto Cão do Idoso e o Programa Melhores Amigos. O primeiro destina-se a atender idosos institucionalizados e temos trabalhos em Fisioterapia, Terapia Ocupacional e Psicologia em 3 asilos. O Melhores Amigos trabalha dentro de um instituto público de cardiologia, atendendo crianças e adultos internados. O cão é o fator motivador para que os assistidos compareçam e trabalhem nas sessões, elaboradas pela equipe de profissionais de maneira que o cão tenha o máximo de participação possível. O que possibilitou a participação do Aníbal, mais do que qualquer habilidade que ele tenha foi seu temperamento dócil e alegre. Sua disposição para executar tarefas, sua delicadeza ao se aproximar das pessoas e a alegria com que ele faz tudo que lhe é solicitado, faz com que ele seja um dos cães mais queridos de nosso grupo. Informações sobre os trabalhos: www.projetocao.org.br.

Renan Campos


Central de Carteiras
Últimas Solicitações
Renovação de Carteira
Novas Carteiras
Buscar uma Carteira
Noticias